sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Estação



Dorme entre meus lençóis
Descansa teu corpo
Éramos somente nós
Teus cabelos e tua voz

Orquestra regida com perfeição
Tuas pernas vibrantes
O coração...
Rompante

Tua boca na minha
Os travesseiros guardam...
Teu gozo cristalino
Teu cheiro...

Não levanta ainda
O final de tarde vai eternizar
Na minha mente vou guardar
A pequena menina...

Um fio preto há de ficar
Com o suor no colchão
Lembrança da
Pretinha
Que comigo ficou uma estação

Não, não levanta ainda
Deixe eu deitar ao teu lado
Olhar nos teus olhos
E perguntar magoado
Por que
uma estação?

Se poderia deitar
Pesar meu corpo sobre o teu
E, mesmo depois do apogeu
Tudo, sempre, sempre, recomeçar...

Entre as tuas pernas
Sim, eu juro,
Poderia até descansar
E esperar um pouco mais
E quando me pedisse
Mais uma vez
Te amar

Ah cabelos pretos
Costas molhadas de suor
Sempre do mesmo jeito
Não conheci prazer maior

Mas sei que vai levantar
E, no meio do verão
Um inverno vai assolar
E, talvez, congelar meu coração

Só me resta aceitar
Pois depois de pedir tua mão
Nada mais consegui enxergar
Tudo agora é solidão

Vou caminhar sem direção
Tentando entender
Com os pés descalços no chão
Por que, depois de tanto prazer
Aquele anjo caído
Não esqueceu
E, alguém resolveu,
Que amor assim não pode ser
Deve-se mesmo é esquecer
Ou então,
Queira ou não,
Apenas,
Sobreviver


(Elson Marques Jr.)

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