sexta-feira, 13 de abril de 2012

Soneto de Despedida








Ah que vontade de acordar sorrindo
Olhar o horizonte feliz
Relembrar tudo que fiz
E te encontrar novamente

Vontade de fazer planos
Programar uma viagem
Te buscar na garagem
E viajar com você


Quem sabe Buenos Aires
Búzios, Petrópolis,
Itaipava, Teresópolis,
Ou, então, Salvador


Fim de semana em casa
Na praia cochilar com você
À noite assistir um pouco de TV
E, na cama, com a boca alcançar seu segredo


Mas não vejo o erro
Não enxergo o deslize
Me embriaguei em demasia
E já não sei qual a direção


Te querer demais pesou
A ansiedade mudou a ordem
Já não sou eu o importante
Estou agora apenas assistindo minha vida

Esperei ser resgatado
Em teus braços ser acordado
Receber de volta minha vida
Com você ao meu lado em uma nova medida

Você não veio
Não senti o teu abraço desesperado
Não vi tua ânsia com o peito rasgado
Onde está tua fome de mim, com pressa para se despir?


Mas deve ser isso
Isso de fazer o que deve
Para poder então
Fazer o que se quer fazer

Vou me despedir de você
Estou saindo de um acidente
Deixando as pernas nas ferragens
Mas a partir de agora devo aprender a voar


Não posso ser seu amigo
Não me preparei para isso
Mas leve minha amizade consigo
E não deixe nada da sua comigo


A dor é inevitável
Espero que o sofrimento seja suportável
Que o renascimento seja sustentável
E que a história toda se perca no imaginário

Eu fiz o possível,
Algumas vezes tentei o impossível
Mas não encarei o conseguido como suficiente
Estou conlhendo os frutos plantados por um louco intransigente

(Elson Marques Jr.)

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