Com uma visão machista não-convencional refleti bastante sobre um filme que vi hoje. Percebi que as grandes estórias de amor e superação sempre partem do homem. Não consegui lembrar de uma grande jornada amorosa desbravada por uma mulher em busca de seu amor. Esse papel parece mesmo ser nosso. Vejo a mulher como tendo sido feita para ser amada, desejada e buscada. E o papel de tentar fazer o amor acontecer é do homem. Não que o dito sexo frágil seja indiferente à paixão, longe disso. Mas é um amor diferente. De espera. De paciência perseverante. A louca obstinação de alcançar e conquistar é mesmo do detentor do falo. É sempre a princesa que espera no castelo a chegada de seu salvador. É o gladiador que derrama sangue, enfrenta exércitos e ganha o dinheiro do mundo todo para tomar de volta sua costela de direito.
Ou pelo menos deve ser assim que os grandes escritores pensam, pois os mais famosos dramas seguem essa fórmula. E posto isso, torna claro que o poder de realização ou não do final feliz, buscado pelo mocinho, está na mão da moça cobiçada. Colocamos o destino do universo no colo delas. Desvendamos os mistérios da vida, enfrentamos dragões cuspidores de fogo, abrimos o peito para enfrentar os tiros e nos arrastamos quase mortos até a sombra da torre alta gritando o nome dela. Mas é ela quem decide se aparece ou não na janela. Sempre foi assim. E continuamos a ter mais do mesmo. E fico intrigado. Eu entro com o risco da morte, a espada e o sangue, viajo por continentes durante o tempo de uma vida, executo monstros e bruxas, me torno o maior herói de todos os contos dos maiores heróis que já existiram e ela entra com um "sim". Não acho justo.
(Elson Marques Jr.)

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